Se tivesse feito uma única obra, o Centro Georges Pompidou, em Paris, o arquiteto Richard Rogers já teria entrado para a história. O Beaubourg quebrou a assepsia que dominava os prédios dos anos 70 e antecipou o conceito de museus para grandes massas.
Mas Rogers fez muito mais: criou o mais contemporâneo dos aeroportos (o terminal cinco de Heathrow, em Londres) e arranha-céus antológicos, como as sedes da Lloyds, em Londres, e da TV japonesa, em Tóquio.
Aos 81 anos, deve fazer os seus primeiros trabalhos no Brasil. Esteve aqui por duas semanas para discutir projetos no Rio (ligados às Olimpíadas de 2016) e em São Paulo (com a prefeitura).
À Folha, o esquerdista que tem o título de barão defende que as cidades não podem virar guetos de ricos ou de pobres. "Um área só para ricos contraria a ideia de cidade."
Folha - Os arquitetos repetem que São Paulo e Rio são um desastre. O trânsito é horrível, não há áreas verdes e há favelas por todos os lados. O sr. concorda?
Richard Rogers - Não. O Rio é a cidade mais bonita que já vi. A paisagem é maravilhosa. Há praias por todos os cantos, o calçadão criado por Burle Marx é fantástico, em qualquer lugar que você vá é possível ver as montanhas e o mar.
Visitei Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, a favela que tem um elevador. O problema social é terrível, há esgoto correndo nas ruas, há lixo em toda a parte. Mas esse não é um problema só do Rio: é um problema global. O terrível é a diferença de renda entre os mais pobres e os mais ricos.
O sr. viu as obras que foram feitas nessa favela?
Gostei das mudanças, principalmente do elevador. É um bom começo porque aproxima a favela da cidade. O problema é como distribuir os benefícios da cidade nessas áreas, como fazer os ricos ficarem mais próximos das favelas e como fazer a favela ficar mais perto dos ricos. Essa mistura é essencial para integrar esses dois mundos.
O sr. acha que é possível integrar mundos tão separados?
A integração é a única solução para as cidades. Em Londres, não temos favelas. Mas temos pessoas vivendo em habitações sociais, que são subsidiadas pelo governo. São prédios privados, nos quais o governo pode colocar pessoas pobres na porta ao lado de alguém muito rico. Um área só para ricos contraria a ideia de cidade.
O que fazer quando ricos não querem pobres ao lado?
O sistema londrino obriga bairros ricos a terem habitações sociais. Esse tipo de sistema já é aplicado na Holanda, na Dinamarca e na Suécia. É preciso criar leis para ter essa integração.
O problema de pobres e ricos no Brasil é igual ao que existia entre brancos e negros nos Estados Unidos. Cidades não podem ter guetos, seja para negros ou pobres.
O sr. acredita em soluções para o trânsito com avenidas?
Isso é impossível. Não há soluções para o trânsito com carros. Estradas e avenidas para carros ocupam 60% da área de Los Angeles. É uma estupidez. Quanto mais estradas você abre, mais congestionamento você terá.
É preciso ter um sistema de transporte público realmente bom. Londres proibiu a abertura de estacionamentos na área central. Também é preciso controlar o número de carros que não estão em condições razoáveis. Há ainda pedágio para entrar no centro de Londres.
Tudo isso ajudou a criar um dos melhores sistemas de transporte público do mundo. Em Londres, 93% das pessoas usam transporte público.
O sistema de ônibus em Curitiba seria uma solução para cidades mais pobres?
Claro. Você precisa ter metrô e ônibus de alta qualidade. É inacreditável que em São Paulo as pessoas aceitem andar de carro a dez quilômetros por hora. A pé é mais rápido. É preciso cobrar mais impostos de carros para melhorar o transporte público.
O que São Paulo pode fazer?
Cingapura, como Curitiba, é um bom modelo. Lá, os impostos de carros são altíssimos e há pedágio no centro. É preciso restringir carros para ter mais espaço público. Espaço público é a principal razão para as pessoas gostarem de viver em cidades.
Como uma cidade faz para ter mais espaços públicos?
Precisa ter parques em todos os distritos. Curitiba fez isso. Jaime Lerner fez um trabalho brilhante. Curitiba é um modelo mundial. Um dos segredos é controlar as forças do mercado.
Como se faz isso?
As cidades precisam de leis para controlar as forças do mercado. Ajudei o primeiro ministro Tony Blair a preparar um plano para as cidades governadas pelo Partido Trabalhista.
O plano dizia que as pessoas têm direito a espaços públicos, assim como têm direito a água. Que as cidades devem ter leis que obriguem bairros ricos a ter habitações sociais. E têm de limitar os carros no centro.
Durante a crise de 2009, o ex-presidente Lula reduziu os impostos de carros para manter os empregos e as vendas.
Não é uma boa ideia. Emprego é uma questão séria, mas é preciso adotar soluções que não levem à desertificação do mundo ou ao fim da floresta amazônica. Um terço da poluição do mundo vem dos carros. Reduzir imposto de carro não faz o menor sentido hoje.
O sr. e Renzo Piano criaram na metade dos anos 70 o Beaubourg, em Paris. Por que ele fascina tanto as pessoas?
SP e Rio têm prédios brilhantes de arquitetura moderna, como os de Niemeyer. Mas em Paris não havia isso. Foi uma surpresa. Fizemos um prédio para abrigar todos os tipos de pessoa e que tivesse interação com a cidade. O Beaubourg é popular porque é um palácio da diversão.
O governo de SP tenta recuperar uma área degradada, a Luz, com museus e salas de concerto. Isso funciona?
Não. Você precisa de usos mistos para recuperar uma área. Não faz sentido uma área só com shopping ou escritórios. Os governos estão fascinados com museus, mas só isso não funciona.
Meu escritório fica numa área de Londres onde as pessoas não podiam ir há 15 anos de tão perigosa que era. Hoje é uma das melhores áreas de Londres. Isso ocorreu porque há escritórios, moradias e museus. Quanto mais misturado, melhor.
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/895068-cidade-nao-pode-ter-guetos-diz-arquiteto-do-centro-pompidou.shtml
8 de abril de 2011
Cidade não pode ter guetos, diz arquiteto do Centro Pompidou
3 de abril de 2011
Relatório da viajem a São Paulo
Na primeira parte do percurso, aproveitamos o tempo que teríamos até a hora marcada com os professores, para visitarmos alguns pontos turísticos nas proximidades do vale do Anhangabaú. Eu, mais alguns colegas participamos duas visitas guiadas gratuitas. A primeira, ao edifício Martinelli, com todos seus atrativos arquitetônicos e históricos. E ao Edifício Altino Arantes, o segundo maior edifício de São Paulo, que se destaca no cenário verticalizado da capital com sua bandeira do Estado de São Paulo.
Esta região do centro, além de muito adensada possui um caráter extremamente comercial, aparentemente parece que a maioria dos edifícios é ocupada por empresas e escritórios. Neste dia ele estava muito ocupado e frequentado, por pessoas bem vestidas (de terno apesar do calor).
Depois destas visitas, atravessamos o vale do Anhangabaú em direção a Galeria do Rock. No caminho passamos pela Praça dos Correios e entramos num prédio Neoclássico dos Correios, em que estava havendo uma exposição. Este prédio parecia ter passado por uma revitalização recente, em que havia sido estalada uma claraboia no pátio central, muito semelhante a iluminação zenital da Pinacoteca.
Enfim chegamos a Galeria do Rock... As gurias foram as compras, enquanto eu fiquei tirando algumas fotos. O que mais me marcou, foi a quantidade de japoneses ou chineses e até o momento, não encontrei algum paulistano com sotaque original nesta cidade. Almoçamos e fizemos o mesmo percurso até o encontro dos professores em frente ao Salve Jorge.
Ao encontrarmos os professores, iniciamos a caminhada direcionada. Foi ai que conhecemos o peculiar guarda-chuva vermelho do Marcelo Maia, que serviu como ponto de referencia a ser perseguido pelos alunos. Logo no primeiro momento, atravessamos o Pateo do Collegio e avistamos o “Monumento Glória Imortal aos Fundadores de SP”. Nesta região a altura dos edifícios já diminuiu, e a quantidade de prédios antigos também.
Caminhamos mais um pouco e chegamos ao viaduto Rangel Pestana sobre a Avenida do Estado, Parque Dom Pedro II e rio Tamanduateí. Sob este viaduto havia muitos moradores de rua e até mesmo algo parecido como um projeto social. Ao chegarmos ao outro lado, foi evidente o papel destas barreiras no senário urbano. De um lado o centro comercial e financeiro, com atrativos culturais e sociais. Uma área formal, muito bem consolidada e com uma grande infraestrutura. E do outro lado desta barreira natural (artificial também) uma região que eu definiria como informal, apesar de não ser caracterizado por edificações irregulares (ou não), possuir uma infraestrutura tão qualificada quanto a outra, se apresenta muito degradada devido a um uso obsoleto.
Mais adiante, na Rua do Gasômetro passamos pelo Gasômetro, uma edificação de tijolos a vista muito interessante e com grande potencial para se tornar um dispositivo de interesse social. Seguindo, passamos pelo Palácio das Indústrias – Catavento e os Edifícios São Vito e Mercúrio que estão sendo demolidos num processo demorado e cuidadoso, para não atrapalhar o transito da Avenida do Estado e causar danos a bens tombados do entorno, como o Mercado Municipal. Além destes edifícios o Viaduto Diário Popular também será demolido. A principio parece que a prefeitura não tem a definição exata de todas as obras que compreendem esta operação urbana. Dando margem a uma proposta.
Continuando nossa caminhada, passamos pelo Pátio do Pari, que é um dos maiores pátios ferroviários da cidade e delimita três áreas distintas em seu entorno: uma voltada ao comercio especializado de cereais, outra ao comercio de roupas e uma terceira que abriga habitação de baixa renda. Dai voltamos a atravessar o Rio Tamanduateí e entramos no Mercado Municipal, com direito a intervalo de 30 minutos para conhecê-lo.
Foi ai que eu tirei a prova se o sanduiche de mortadela, realmente tinha mortadela... E como tinha... Isto se trata de um sanduiche com nada menos que 200gramas de mortadela... Um exagero, mas muito bom. Depois de reabastecer nossas energias, continuamos nosso diagnostico urbano. Seguimos caminhando em direção a Estação da Luz e no caminho passamos ainda pela Rua 25 de Março.
Enfim chegamos a charmosa Estação da Luz. Tiramos muitas outras fotos e reparei sobre um projeto que a prefeitura parece estar desenvolvendo na região, a Nova Luz. Caminhamos até a Estação Júlio Prestes aonde pegamos o metrô até a estação da Republica. Ao sairmos da estação, já avistamos os Ed. Copam E Itália, dois gigantes no cenário urbano. E esta região já pareceu ser mais heterogenia, tanto com uso comercial quanto residencial.
Então estávamos ali, embaixo do Ed. Copam, quando a tão famosa garoa paulista começou a cair, e decidimos encerrar os diagnósticos urbanos de sexta-feira. Alguns alunos voltaram para o hotel, eu permaneci com um gruo que queria estender os passeios mais um pouco. Então antes de ir ao hotel, nós passamos ainda em um boteco nas proximidades do Ed. Itália, depois em um restaurante Italiano no bairro Bexiga, e por mim ainda fomos a uma boate no Bairro Vila Madalena. Neste dia dormi por volta das 5horas da manha de sábado.
Enfim chegamos a nossa ultima caminhada-diagnostico, agora estamos em frente a Estação de Metrô do Brás, e iniciamos nossa caminhada por uma área cheia de edificações baixas, ou de uso comercial ou misto. A maioria das lojas é especializada no comercio de roupas e artigos eletrônicos. Atravessamos o Largo da Concordia e seguimos pelo Viaduto Gasômetro e tivemos uma vista melhor da região, que apresento muitos prédios deteriorados e aparentemente invadidos. Com muitas moradias de baixa renda. Do outro lado no trilho do metro, encontramos também muitas lojas têxteis, mas a diversidade do comercio aumentou. Ali existiam lojas de esquadrias, carros, entre outras.
Voltamos para o Largo da Concordia pela Av. Rangel Pestana e encerramos ali os diagnósticos dirigidos. E encerramos ali a nossa caminhada direcionada.
Diagnostico do Aeroporto de Confins
Quinta-feira 17 de março de 2011 – 13h16min.
Acabamos de embarcar na aeronave, após uma espera de aproximadamente duas horas. Durante este período de espera eu, Lucas e Roubens percorremos o aeroporto a procura de um local confortável para aguardar o embarque e tomar um café.
O aeroporto de Confins é muito interessante devido a articulação de espaços abertos e fechados, possibilitando uma agradável ventilação natural e pontuais claraboias, que iluminam o terceiro pavimento, em que é possível visualizar a pista.
Por outro lado, é impossível encontrar locais de acesso gratuito que ofereçam o conforto necessário para tornar o tempo de espera menor. Até mesmo a organização das poltronas dispostas uma do lado da outra me deixaram com um incomodo torcicolo. A impressão que tenho é que se trata de um espaço com o objetivo de evitar a interação entre quem esta ali.
Outra questão é que, não sei se pelo fato das poltronas deste forem iguais as do aeroporto de Brasília, Porto Alegre e de São Paulo (deve ser iguais a vários outros, porem só posso afirmar com certeza estes) ou somente pela falta de mobiliário. Identifiquei uma falta de identidade. Falta de características próprias e únicas que distinguiriam o Aeroporto de Confins dos demais. Para mim este é o aeroporto longe pra caramba.


